Tutano no ventilador
sábado, 12 de outubro de 2002
  escremento d'outros dias
Tocar-te? Não sei se devo, num mundo onde tudo parece tão errado... esta concepção hipócrita que nos cerca me deixa estressado em preocupar-me à toa, ou como mesmo você diz "colocar caraminholas na cabeça"... Sei que tenho problemas, sou o louco que tem a clara consciência de sua louca doença.

Perfaço meu rosário de caraminholas todos os dias, principalmente nas madrugadas, ah madrugadas, eternas companheiras... não me deixam nunca o pensamento ou mesmo a idéia de mergulhos o mais fundo possíveis. Tenho minhas dúvidas quanto a tudo que me cerca: até cometo sacrilégios como beijar-te de olhos abertos, pode ser ruim mas gosto de ver sua expressão quando me beija e lhe retribuo. Quero sempre mais, isso já percebestes, né?

Gostaria mesmo de criar aquele utópico controle do tempo para pausarmos um pouco a loucura dos tique-taques para respirarmos um pouco aliviados sem o stress que o tempo nos causa. Quando não consigo ocupar minha mente com outras coisas mundanas: uma prosa aqui, uma internet acolá, não desvio-te do pensamento.

Me chame de romântico, platônico, de maluco, se isso a faz sentir melhor para mim é importante pois não visto a carapuça de nenhum destes rótulos...

... bom talvez só um pouco o rótulo da loucura, esta eterna companheira de desde quando me entendo por gente que seria há tão pouco tempo... Ah loucura, outra de minhas companheiras mais fieis... tenho por ela uma estima grande por entender ser ela a minha alma e meu alimento. Trabalho, além do prazer, é minha dose diária do "Eu posso" que todos têm de certa feita guardados dentro de si. Quero trabalhar sempre, se isso é minha incubência, minha sina e destino que os bons deuses do Sol, da Lua, da Natureza e do Tempo o deixem ser e o deixem devir neste vir-a-ser continuum ao qual estamos todos atados...

Gostaria de ter mais coisas não para mim mas para outros... como bem sabes sou membro dos utópicos anônimos-nem-tão-anônimos-assim, se pudesse me arrebentaria para abraçar o mundo se assim fosse possível.

Hoje, infelizmente um pouco mais esquartejado, açoitado, castigado e cicatrizado por essa tal de realidade (nada companheira, pelo contrário, minha algoz carrasca de torturas e [in]imagináveis marcas n'alma) não quero me satirizar, mesmo que o faça, não quero o escárnio, mesmo que o aparente, não procuro a contradição, mas ela sim me procura com grande sede ao pote..

Não gosto de escrever ultimamente, vejo meus escritos como escremento: coisa não muito interessante de dizer e ver mas que é vital a todos os seres viventes pois existem os que defecam fisicamente, bem, essa é uma das maneiras pela qual me exauro de forças vitais para poder descansar um pouco ... já perdi a conta das noites em que tive a madrugada como companhia e parceira inseparável, hoje as tenho mas estão diferentes, tomando outras formas que não aquelas de tempos atrás.

Preciso como você, creio eu, de desabafar em algum lugar, mesmo que não saia nada de inteligível como estas minhas masturbações mentais mas que, pareçam ou não superficiais, são importantes para minha mente: estou sendo dominado pelo pragmatismo de tempos em vez... algumas dessas assíncopes pela via útil me fazem escrever os escrementos, devaneios ou os "brainstorms" como preferir chamá-los pois sempre negarei piamente até mesmo o escrito... parecendo mesmo aquele que renega o filho de sua própria idéia e mente.

Acredito eu que você esteja melhor que eu pois tem melhores direção de pensamentos: as figuras humanas sempre atraem outras próximas mas que em meu caso não demonstro interesse pelos motivos que já havia balbuciado... aqui estou para não me envolver sentimentalmente com ninguém: não quero deixar nem feridos nem mortos por esta Terra pretendo fazer cada vez mais para viver mais, Ah, a perna está bem, ainda presa ao meu joelho...

Você diria que isso seria uma manifestação surrealista mas não a quero dar título que não o de escremento pois não se trata de coisa proposital que irá a algum lugar, é sempre uma maneira que procuro retirar à força alguns pensamentos da cabeça para colocar em algum outro lugar que não minha cachola.

Essa mindtrip que faço deveras nonsense é para ser isso mesmo: sem absolutamente nenhum sentido que o da masturbação mental para que possa descansar essa coisa que me impede de dormir, me impede de ter algo que não seja precoce, enfim: que me deixe viver um pouco sem me encher muito saco... (tsc: nem o meu, nem o de ninguém).

AÊ!!!!!! Acho que consegui vislumbrar algum clarão no fim deste túnel nonsense sem roteiro! Ouvi um bocejo ... quero que ele fique para podermos juntos conversarmos a língua dos humanos: o longo, revigorante e estupidamente confortável sono.

Temos nós aqui que fazermos um breve intervalo, espero que um dia achem uma cura a isso que chamamos de insônia e que não seja pela ingestão de cafeína ou qualquer outra ína ou onha que possa causar em meu organismo um efeito que não desejo... percebeste que minha loucura e minha salvação ou minha redenção se encontram num mesmo lugar: minha hiperativa cachola 10.0 que [in]felizmente me foi doada (acredito eu que foi por não haver outros interessados em tal peça) desde meus primeiros dias de consciência.

Se fosse possível queria te esquecer, mas, se fosse acho que não queria como diria minha grande parceira de composições, a contradição... tenho imensos defeitos, dentre os quais se encontra uma estupidez imensa onde a paixão excede limites, a hipo-hipocrisia (uma disfunção comum aos de minha espécie, acho) que não é tão desenvolvida quanto a dos seres que nos circundam, a infantilidade e ingenuidade que parece urticária: quanto mais irrita mais se apresenta. Talvez por isso poderia fazer o bem a dar cabo de minha vida mas sou muito preguiçoso a fazê-lo, talvez mais tarde, quem sabe?

Acho eu que suicídio é uma coisa nata dos seres ditos humanos pois creio aquele que nunca sentiu vontade de estourar os próprios miolos não vive neste mundo cheio de hipocrisias, idiossincrasias, ideologias, pseudo-filosofias e outras logias e ofias sem-fim.

será que é dia 11 ? ou 12 ? acho que é 12, lá pelas 7-8 da manhã...

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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
  Estranho não!?
Sinto como se te conhecesse, mas nos encotramos há pouco... parece um weird dream ter te visto, até agora não me creio ter lhe segredado meus segredos mais íntimos: mas como disse, pode ser hoje, amanhã, tanto faz se esse amanhã não será nunca mais te beijar.

Me sinto de um jeito estranho, como nunca havia sentido antes: é diferente, gostoso, dói mas acho que sobrevivo.

Me preocupo contigo e acho que sabes disso pois sempre seu olhar denuncia seu temor e sua excitação... Gostaria muito que fosse verdade todo o sonho e toda a brincadeira que fazemos, pois assim acho que você se sentiria bem.

Passei a vida procurando algo que não encontrava em tantas outras coisas que quase cheguei a esquecer o que era que procurava... Sua luz e energia reavivou algo adormecido e isso pode ser bom ou ruim, ainda não sei...

... espero que seja bom!

Hoje quando caminho nas desertas ruas da cidade te procuro em todo lugar que vou, seu rosto me aparece como um clarão ao longe que fica difícil diferenciar a verdade da mescalina. Grito teu nome e não ouço respostas, penso em desistir mas aí uma afável voz (será a sua?) me conforta, faz-se o surrealismo em coisa: chama mas não diz nada, te procuro por cantos onde desconheço, apenas sinto tua presença lá e encaminho-me ao teu encontro... ledo engano o meu pensar isso... a mente o sabe mas aquele, o coração ainda não.

Espero te encontrar bem quando nos vermos a próxima vez, pois creio que precisas de mais paz. Queria estar ao teu lado todas as horas de seu dia: quando acordas, quando caminhas e quando deitas (egoísta eu, não acha!?) procuro uma coisa impossível, isso os bons deuses comparsas o sabem...

Tenho um filme em minha cabeça onde é apresentada uma realidade que não é a nossa mas de personagens que de parecidos passam-se desapercebidos como nós entre os viventes do lugarejo. Temo por nossa segurança, já que temos alguns inimigos que rondam na calada da noite, pobres seres notívagos que são, como nós, amaldiçoados por toda a eternidade a vagarmos como vampiros nesta sordidão.

A solidão? Isso é fácil de esquecer, afinal somos criaturas solitárias, não é verdade? Tenho que sair daqui: está ficando perigoso mantermos esta janela aberta, nelas é que estão as denúncias e verdades deste mundo hipócrita do look but don't taste it, taste it but don't swallow, swallow but don't enjoy it... às vezes penso em suicídio, cousa essa normal entre os viventes eu creio pois se não houvesse tal sentimento egoísta não estaríamos nos tentando convencer do contrário por todos esses anos a fio...

Anos? Você ri mas é o que parecem: anos de conhecimento mútuo que só agora é transmitido um ao outro... Queria ser um pequeno ser para observá-la lendo isso que escrevo, as tais viajens que te disse são reais, talvez por elas que não preciso de drogas de fora de meu corpo: tenho elas todas aqui dentro comigo em estoque inesgotável... careta eu não sou, desculpe falar nesse tom contigo mas algo que não sou é isso que entende por careta porque não aceitar é um exercício simples de livre-escolha que podemos ter a nosso favor.

Grande beijo, hoje é madruga de 11/10/2002 (2:42)...
G´night and have sweet dreams!

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Alguns escritos, viagens, devaneios, ...

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