Brainstorm Small Novel
Lá tu estavas: inerte, cálida, de vestes amarrotadas.
Esperava como alguém que perdera as esperanças do dia findar.
Quero confortar-te mas não o posso, se o posso, não o devo.
"Acorda-te homem! Tens de revelar-te breve." sussura altaneiro confrade.
Grande confrade... ignora-lhe a simples idéia de que não posso fazê-lo.
Mas a idéia inconstante de fazê-lo ganha vulto em minha memória, ó droga do pensamento: não o provoque ao pensar coisas que não queira, pois fadarás a refletí-lo por tempos.
Ousei ouvir teu nome novamente neste dia insoso e retornei a pensar em ti, pequena ladra que irrompe por campos...
Receio eu a encontrar-te pois não conseguirei ignorar-te completamente por nosso passado, creio que outrora não temeria tomar-te em meus braços e amar-te, hoje recordo-me dos dias passados ao teu lado, no campo, nossas conversas longas pela noite.
Meus pensamentos tentavam me enganar, pensando em ti quando andava naquela noite fria, acelerava os passos e via sua face em todos os lugares, sentia tua presença em algum lugar observando-me, olhava no relógio várias vezes e o tempo custava a passar e não cessava a pensar em você.
"Jack!" soou pelas ruas desertas da noite, não consegui descobrir de onde vinha, era apenas eco. Não sentia vontade de voltar para o escritório, fui observar você dormir em sua casa, o único problema foram os incansáveis cães de guarda que assistiam seu sonho...
Sou o mesmo daqueles anos em que o amor e a discussão reinavam em nossas vidas, há aquela coisa catártica fantástica que fazíamos continuam comigo, tudo o que foi dito, pensado, amado, ainda importa a mim.
Ímpetos rompantes de ter-te em meus braços, de acordar-te de teu sonho e roubar-te para mim são bruscamente interrompidos pela razão pelo senso de absurdismo que toma minha mente... sabes que sou muito racional, mais até do que gostaria ...
Não tenho motivos para odiar-te, nem tão pouco blasfemar-te ...
Está alvorando o dia, tenho de "ir-me para passárgada".
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